quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fica comigo



Fica comigo
Te peço que não me deixe
Preciso de você
És meu abrigo
Não tenho medo de sofrer
Penso em você a toda hora
Você invadiu meus pensamentos
e não quero te perder
Eu te amo!
Vamos viver esse sonho
Deixa acontecer
Fica comigo
Eu quero você!
.
.

(N.S)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Desejos




Meus olhos nunca te viram,
creio, mas te sentem.
Minha boca nunca te beijou
mas reclama com ardor
o beijo ausente.


Meu corpo nunca te amou.
Mas é como se te possuísse todo dia.
Mesmo que jamais existisses, te inventaria.
Não és miragem, posto que vives em mim;
Se nunca te tivesse pressentido,
Não te desejaria assim.


.
jjLeandro

sábado, 29 de agosto de 2009

O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA





Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
.


A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

.


Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.
.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos

.


© Manoel de Barros

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Dedos




A mão que corre lasciva,
Percorrendo o caminho
Dos pelos atordoados,
Pelo desejo que instiga,
No toque dos dedos,
No afago...
É dona de mim,
De meus atos,
De minha entrega alucinada,
Desenhando nas paredes,
Exalando pelo quarto
Perfume de sexo no ato
Da paixão e tormento...
A mão que fere,
Num prazer quase insano,
Que escorre e lambuza
Pelos poros humanos,
E termina num gozo cru...
Me entra nas entranhas,
Como carro desgovernado,
E fundo me tomas, me matas...
Num instinto de amor tarado,
Depois repousas num seio,
Sem percebe-lo ouriçado...
Minha lingua o absorve,
Um a um, lado a lado,
Como querendo o restinho
Quase inexistente,
Daquilo que te deixou inconsciente,
Te levando à loucura
De uma quase moldura:
Corpo nu repousando
E eu cativa ao lado.
.
.

Me Morte
(Mariângela Padilha)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sede de ti





No movimento frenético de uma onda
Sou neste instante tua presa
E tu és minha anaconda
Invade minha selva
E penetra em solo quente
Como eclipse solar
Numa fusão ardente.
Naja que me hipnotiza
Desliza suas mãos...
Tela e pincel...
Deito-me em teu corpo ofegante
Como a linha do horizonte
Sou teu mar
Tu és meu céu.

.

Regina Xavier