quinta-feira, 24 de abril de 2008



Dos pedaços de mim
.
Encontro-me em pedaços pelo mundo
o pé direito subindo os edifícios
a mão esquerda a exigir amor.

Nos cabelos já nasciam flores
e grandes frutos pendiam de meus olhos.

Minha boca era mar
e o sangue, fonte rubra
de onde manavam as palavras.

Os dentes mastigavam nuvens
o azul invadiu meu coração.

Me fiz maior do que sou
deslimitei as fronteiras.

Fiz do sexo sementes:
o vento se incumbiu de me plantá-las.
Jamais serei somente mim:
se morro nas montanhas
recrio-me nos vales.

Quem repartiu as entranhas
não conhece o fim.
.
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Cesar de Araujo

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