Nos braços do poente, morre a tarde...
Aves em bando morrem no horizonte;
Morrem uma a uma as horas - a alma arde!
Um morrer de ardores me goteja a fronte.
Dias que morrem tristes, nessa ausência...
Meu pensamento morre, sem sentido;
Nesse morrer constante, com inocência,
Morro eu por ti, e tu por mim, querido.
As tuas noites vem morrer em brisas,
Quando em meu seio vens morrer de amores.
Mortas de ânsias, tuas mãos deslizas,
Sobre meu corpo a derramar fulgores!
Beijos sequiosos vem matar em mim,
Toda a saudade que me mata aos poucos...
E em nosso peito, os corações, enfim,
Batem, morrendo aos saltos, como loucos!
Toda a saudade exala neste preito,
Morre a distância, louca, em teu encalço.
Ternas carícias morrem em nosso leito,
A paixão contida, morre num abraço.
Quando meu corpo fecha nesse abraço,
Um gemido de amor nos lábios vem morrer...
E enquanto a lua vai morrer no espaço,
Vem os desejos morrer no amanhecer.
Mírian Warttusch
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*Publicado no E-Book "Arrebatamentos - Volume 3"
da Comunidade Poemas à Flor da Pele.
da Comunidade Poemas à Flor da Pele.


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